BRASIL NÃO VIROU UMA VENEZUELA: Crise na Argentina alimenta migração de trabalhadores ao Rio Grande do Sul, e autoridades analisam desafios

 


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A persistente crise econômica na Argentina — marcada por inflação elevada e dificuldades de acesso a bens básicos no país vizinho — tem sido associada a um aumento de argentinos buscando trabalho no Brasil, especialmente no estado do Rio Grande do Sul. Estudos recentes apontam que muitos argentinos têm se deslocado para regiões fronteiriças em busca de oportunidades de emprego, registrando inclusive maior demanda por documentos como o CPF para poder trabalhar legalmente no Brasil.

No Rio Grande do Sul, operações de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) notificaram casos de trabalhadores argentinos resgatados de condições degradantes enquanto trabalhavam, por exemplo, na colheita de erva-mate e em outras atividades rurais. Nesses casos, os trabalhadores não possuíam autorização formal para trabalhar no país, nem registro em carteira ou documentos adequados, e foram encontrados em alojamentos precários com ausência de direitos básicos garantidos por lei.

Organismos públicos gaúchos, como o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Rodoviária Federal, têm conduzido operações que resgatam grupos de trabalhadores e garantem assistência, repatriamento ou encaminhamento conforme a legislação vigente.

Esses episódios refletem o lado mais complexo da migração motivada por fatores econômicos: embora o movimento de trabalhadores estrangeiros possa suprir lacunas em determinados setores sazonais, também expõe vulnerabilidades — em particular a contratação irregular e a exposição a condições de trabalho abaixo do mínimo legal.

Autoridades e especialistas em direitos humanos destacam a importância de monitorar esses fluxos, reforçar a fiscalização e promover mecanismos que assegurem trabalho digno e direitos básicos a todos os trabalhadores, independentemente de sua origem

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