Raquel 48% e João Campos, 43% no 1º turno
A nova pesquisa do instituto Datafolha para o Governo de Pernambuco provocou forte repercussão no cenário político estadual. Pela primeira vez na série recente de levantamentos eleitorais, a governadora Raquel Lyra aparece numericamente à frente de João Campos na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas.
Segundo os números divulgados nesta quinta-feira (28), Raquel Lyra soma 48% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto João Campos aparece com 43%. O levantamento mostra ainda Ivan Moraes com 2%, além de 4% de votos brancos e nulos e 2% de indecisos.
Apesar do empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais, o resultado possui enorme peso político para a governadora. Isso porque, até poucos meses atrás, João Campos liderava as pesquisas com vantagem considerada confortável. Em abril, por exemplo, o próprio Datafolha mostrava o socialista com 50% contra 38% de Raquel Lyra.
A importância política da virada para Raquel Lyra
A pesquisa representa mais do que uma simples oscilação eleitoral. Nos bastidores, aliados da governadora enxergam o levantamento como a consolidação de uma recuperação política construída ao longo da gestão estadual.
Quando assumiu o governo, Raquel enfrentava desafios administrativos, desgaste político inicial e uma forte comparação com a popularidade de João Campos no Recife. Além disso, o PSB ainda carregava a herança política do ex-governador Eduardo Campos, pai de João, que mantém influência histórica no eleitorado pernambucano.
Por isso, ultrapassar João Campos em um levantamento estadual tem um simbolismo importante para o grupo governista. A leitura feita por aliados é de que Raquel conseguiu:
- ampliar sua presença no interior do estado;
- fortalecer a imagem administrativa;
- reduzir a rejeição;
- e transformar a máquina estadual em ativo político.
O levantamento também mostra Raquel à frente em uma eventual disputa de segundo turno, com 51% contra 44% de João Campos.
Mudança no ambiente político
Outro fator relevante é o impacto psicológico da pesquisa no meio político. Em eleições estaduais, prefeitos, deputados e lideranças regionais costumam se aproximar de candidaturas vistas como competitivas ou favoritas.
Até o início do ano, parte significativa da classe política enxergava João Campos como favorito absoluto para 2026. Com a nova pesquisa, o cenário muda e tende a fortalecer o poder de articulação de Raquel Lyra junto às bases municipais.
A liderança também pode influenciar futuras alianças partidárias, composição de chapas e apoios estratégicos no Agreste, Sertão e Região Metropolitana do Recife.
Disputa segue aberta
Mesmo com a vantagem numérica de Raquel Lyra, o cenário permanece altamente competitivo. João Campos continua com forte capital político, especialmente na Região Metropolitana e entre eleitores mais jovens.
Além disso, a margem apertada indica que a eleição para o Governo de Pernambuco deverá ser uma das mais disputadas dos últimos anos.
O novo Datafolha, no entanto, muda o tom da campanha antecipada de 2026: agora, a governadora deixa de ocupar posição defensiva e passa a disputar a eleição em condição de igualdade — ou até de ligeira vantagem — diante do principal adversário.

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