Por Andréa Galvão*
Pedro Rodrigues Bispo, conhecido como Zequinha, casado com Maria Edite Bispo, pai de oito filhos e avô de vários netos, entre eles, Nágila Francieli, nasceu em Pesqueira-PE em 24 de novembro de 1930. Fez da natureza o seu templo e desde muito cedo dedicou-se a ela, fosse através da agricultura para obter o seu sustento e da família ou no aprendizado constante dos saberes curativos que deu alento a tanta gente.
Aos 17 anos iniciou a sua missão espiritual junto ao Povo Xukuru do Ororubá e se transformou em resistência absoluta, quando só havia expropriação, perseguição, morte e apagamento da cultura e dos costumes dos seus semelhantes. Ao longo das quase oito décadas em que assumiu a condição de pajé, o seu legado sobreviveu impoluto, inspirando várias gerações.
Hoje, 17 de maio de 2026 é um dia muito especial, pois durante a XXVI Assembleia Indígena Xukuru, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na pessoa do reitor, Alfredo Gomes está concedendo o título de Doutor Honoris Causa a esse legítimo representante dos povos originários que se dedicou a valorizar e repassar os saberes ancestrais como também em ser um guardião da medicina tracional, cultivada na mata sagrada e com os rigores do encantamento.
Honoris causa ( do latim "por causa da honra") é a mais alta distinção honorífica, outorgada a personalidades eminentes, ainda que não tenham formação acadêmica. Trata-se do reconhecimento dado a indivíduos que se destacam por sua contribuição à sociedade, no campo das ciências, arte e cultura ou na defesa dos direitos humanos.
Indiscutivelmente o Pajé Zequinha, um homem simples, do povo, entretanto dotado de poderes especiais e voltados para o bem viver, dono de uma linda trajetória que dura 95 anos, tem mérito suficiente para gozar dos privilégios dessa menção honrosa e para quem o admira como essa que vos fala, a ocasião nos permite comemorar muito!
Poetisa e escritora

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