Rio de Janeiro: o estado onde o cargo de governador vem com “brinde judicial” Prisões, cassações e renúncia


No Rio de Janeiro, a política conseguiu elevar o conceito de rotatividade a um novo patamar. Não se trata apenas de alternância de poder — mas de uma espécie de “rodízio institucional” entre o Palácio Guanabara e o sistema prisional. Em vez de planos de governo duradouros, o estado parece colecionar manchetes que misturam gestão pública com operações policiais.

Nomes como Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Moreira Franco ajudaram a consolidar uma tradição curiosa: a de que o mandato pode até terminar, mas a relação com a Justiça costuma continuar. Já Wilson Witzel inovou ao mostrar que nem sempre é preciso esperar o fim do mandato para sair do cargo — o impeachment resolveu antecipar o cronograma.

O problema é que, fora da ironia, a conta chega — e chega pesada. Cada escândalo interrompe políticas públicas, paralisa investimentos e destrói a já frágil confiança da população nas instituições. Projetos de longo prazo viram peças descartáveis, substituídos por gestões emergenciais que começam já pensando em sobreviver à próxima crise.

Na prática, quem paga essa instabilidade é o cidadão fluminense. Hospitais ficam sem continuidade administrativa, obras travam no meio do caminho e áreas essenciais como segurança e educação passam a operar em modo improviso permanente. O estado, que já enfrenta desafios históricos, perde tempo — e tempo, em gestão pública, costuma significar vidas, oportunidades e desenvolvimento.

Há também um efeito menos visível, mas igualmente nocivo: a normalização do absurdo. Quando prisões e afastamentos deixam de ser exceção e passam a parecer parte do “ciclo político”, o risco é que a indignação pública se desgaste. E sem pressão social consistente, a repetição do problema deixa de ser surpresa para virar expectativa.

No fim das contas, o Rio de Janeiro não perde apenas governadores — perde credibilidade, continuidade administrativa e, sobretudo, a chance de construir um futuro menos dependente de manchetes policiais e mais focado em políticas públicas eficazes.

Talvez o maior desafio do estado hoje não seja escolher o próximo governador, mas quebrar esse ciclo em que o poder termina, frequentemente, onde nunca deveria começar: nos tribunais.

E como não poderia faltar, a atual gestão sob Cláudio Castro que renunciou ao cargo em 23 de março de 2026, foi condenado pelo TSE e ficou inelegível por 8 anos (até 2030)

 No fim, a incerteza já produz seus efeitos: insegurança institucional, paralisia administrativa e mais um capítulo na longa novela política fluminense.

Governadores do RJ presos

Esses foram governadores (ou ex-governadores) que chegaram a ser presos:

  • Sérgio Cabral Filho  PMDB (2007–2014)
    • Preso em 2016 na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro etc.
    • Chegou a acumular condenações que somavam mais de 200 anos.
  • Luiz Fernando Pezão PMDB (2014–2018)
    • Preso em 2018, ainda no cargo, por corrupção ligada a esquemas políticos.
  • Anthony Garotinho PDT e PSB (1999–2002)
    • Preso diversas vezes após o mandato por crimes eleitorais e corrupção.
  • Rosinha Garotinho PMDB (2003–2006)
    • Presa em 2017 por crimes eleitorais (junto com o marido).
  • Moreira Franco PMDB (1987–1991)
    • Preso em 2019 em investigação da Lava Jato.

Observação: Em certo momento, chegou-se a dizer que todos os ex-governadores eleitos do RJ desde os anos 1980 que estavam vivos já tinham sido presos.


Governador que perdeu o mandato (impeachment)

  • Wilson Witzel (2019–2021)
    • Sofreu impeachment em 2021 por acusações de corrupção na área da saúde durante a pandemia.
    • Foi afastado e perdeu o cargo, além de ficar inelegível por um período.

 Resumo

  • Presos: Cabral, Pezão, Garotinho, Rosinha, Moreira Franco
  • Perdeu o mandato: Witzel
  • Renunciou: Cláudio Castro

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